Antiquário/Brick

Apesar da ideia arraigada até hoje de uma memória social baseada na valorização de grandes marcos, das grandes feitos, das pessoas importantes, os antiquários por vezes representaram os locais onde objetos do passado - talvez tidos como não suficientemente relevantes para serem incorporados aos museus ou mantidos na patrimônio das famílias - podiam ser (re)valorizados por seu caráter de curiosidade, exotismo e deleite estético que provocavam nas pessoas.

Recentemente, a difusão da cultura vintage mostra um interesse renovado pelos objetos mais cotidianos, pela valorização do artesanal justamente por gerações profundamente integradas às mudanças tecnológicas da sociedade pós-industrial. Em muitos casos, a diferença de experiência com relação aos objetos cotidianos vai além das diferenças já esperadas de geração para geração. Especialmente nas gerações que passaram pela transição do analógico ao digital há um evidente contraste nas experiências vivenciadas na infância e na vida adulta. Disso em muito decorre a valorização nostálgica de objetos que remetem à própria infância que vivenciaram - por mais que estas gerações contem com dispositivos mais práticos, cômodos ou eficientes para ouvir música, ver filmes ou jogar. Conforme Burke e Briggs:

Já se dissera, em uma geração anterior, que “uma criança nascida na mesma época da radiodifusão considera-a tão natural que não pode imaginar uma era anterior. Ela acha normal ter rádio”. O mesmo se podia afirmar para as crianças nascidas na época dos primeiros jogos de computador. (BRIGGS e BURKE, 2016, pg.:281).

O recurso aos antiquários para decoração de lares, escritórios ou lojas ganha assim um caráter de identidade e identificação entre indivíduos que compartilharam em grande parte as mesmas experiências geracionais "que já pertencem ao passado". Por sua vez, a ampliação no repertório de objetos oferecidos pelos antiquários é também uma ampliação dos potenciais fornecedores de objetos vendáveis, outrora cotidianos, agora ressignificados como referências de experiências geracionais.

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